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A história de Bangu um bairro que nasceu em duas rodas

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A história da Região (Zona Oeste) Por Aloísio de Oliveira

     Não se pode falar numa história da Zona Oeste separada da história do Rio de Janeiro: a ocupação da região se deu no âmbito da expansão da urbe carioca. A importância dos jesuítas na fundação do Rio se refletiu na concessão de diversas sesmarias que obtiveram ainda no século XVI, dentre as quais se destacam aquelas que deram origem a uma série de fazendas que se estendiam do Engenho Velho a Itaguaí. Estas fazendas, das quais a mais importante era a de Santa Cruz, produziam farinha, anil, arroz, açúcar, frutas e verduras; a criação de gado também era importante. Com a expulsão dos jesuítas, as propriedades foram vendidas e algumas permaneceram com o governo. O século XIX assinala o começo da decadência: declina a importância do açúcar, os canais dos jesuítas assoreiam-se. Em termos administrativos, as freguesias de Campo Grande (criada em 1673), Guaratiba (em 1755) e Santa Cruz (em 1833) têm seus limites correspondentes aos das atuais R.A.s.

            Os rebanhos da Zona Oeste, no primeiro reinado, eram grandes fornecedores de carne para a cidade. O matadouro municipal, localizado na Praça da Bandeira, foi transferido para Santa Cruz em 1881. Por esta época o café já havia tomado conta da s encostas da região e a estrada de ferro, a partir de Deodoro (cuja estação foi inaugurada em 1859), havia proporcionado uma alternativa melhor do que os antigos caminhos para o transporte e a comunicação com a cidade. Data destes anos a instalação de diversos estabelecimentos militares nas vizinhanças de Realengo, que alteraram significativamente o perfil de diversos bairros da região. E também a fábrica de tecidos de Bangu (fundada em 1889), motivo do aumento da importância do bairro e de seus arredores que desmembrados de Campo Grande constituíram outra unidade administrativa (a atual RA. De Bangu) a partir de 1926.

A história da  Bangu

Tudo começou no ano 1673, quando Manuel de Barcelos Domingues, um dos primeiros povoadores do Rio de Janeiro, construiu uma capela particular em sua Fazenda Bangu, primitivamente Engenho da Serra e daí teve início a vida progressista de Bangu. A Companhia Progresso Industrial do Brasil, adquiriu mais tarde a posse dessas fazendas, onde fundou a fábrica que deu origem a evolução de Bangu.

     Quando a fazenda Bangu foi comprada pela Companhia Progresso Industrial do Brasil, havia na região apenas uma rua, a Estrada Real de Santa Cruz, que foi aberta para permitir a comunicação com as Sesmarias dos Jesuítas  (chamou-se originalmente caminho dos Jesuítas), que se estendiam pelo litoral até as proximidades de Itaguaí

Hoje, nesta rua, encontramos os   marcos históricos (lápides de concreto) que serviam para demarcar a distância, em léguas, que o Imperador D. Pedro I percorria para encontrar a sua amada, a marquesa de Santos, desde que deixava sua residência, na Quinta da Boa Vista, até chegar a São Paulo. Eles também serviam para parar e descansar depois de horas andando a cavalo.

   É de se imaginar que a ferrovia foi imprescindível para intensificação da urbanização e ocupação das áreas, não só de Bangu, mas das demais áreas da Região Oeste carioca, uma vez que tornou possível o transporte de produtos e pessoas até a região, que até em tão se mantinha praticamente isolada do centro urbano da Cidade, tanto pela grande distância, quanto pelas barreiras físicas naturais encontradas (Os maciços da Pedra Branca e do Gericinó) que dificultavam o percurso. A inauguração do ramal ferroviário de Santa Cruz ocorreu em 2 de dezembro de 1878, sendo sua primeira estação a de Deodoro, que foi inaugurada em 8 de dezembro de 1859, posteriormente vieram a de Realengo (1878) e de Bangu (1890), e mais tarde as demais estações. Então, com a inauguração da ferrovia, a ocupação foi se intensificando e núcleos urbanos foram surgindo em torno dela, trazendo também o estabelecimento de empreendimentos que tiveram atuação decisiva no processo de ocupação, expansão e desenvolvimento da região, no caso de Bangu, a Fábrica de Tecidos Bangu.

     Bangu  cresceu com todas as características de um bairro proletário, onde os primeiros patrões foram os ingleses.  Bangu foi um bairro planejado para funcionar atendendo a Companhia Progresso Industrial de Bangu (Fábrica de tecidos Bangu), que por muito tempo exportou a marca Bangu para todo o mundo, principalmente a Europa.

     Todo este crescimento favoreceu a população uma boa qualidade de vida, onde a fábrica financiava para todos os seus empregados casas construídas com materiais que na sua maioria vinham da Europa, como os primeiros tijolos maciços, as telhas, as madeiras de pinho de riga da Suécia, etc  mantendo sempre o modelo de arquitetura inglesa em todas as suas construções.

     A fábrica, também facilitou a compra de bicicletas para os seus operários, importando da Europa os mais variados modelos de bicicleta, tanto para homens como mulheres (ver algumas fotos na história da bicicleta no bairro) facilitando assim o deslocamento para o trabalho.

 

  Esta página é uma prévia do livro CICLISMO DE RICARDO TORRES