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INTERESSA À MÍDIA BRINCAR COM O SENTIDO DAS PALAVRAS?

Recentemente a mídia andou brincando com os sentidos das palavras. De repente, palavras tiveram seus significados distorcidos aqui e ali, e os jovens são pegos desprevenidos e deslumbrados com essa "interatividade" vocabulária.

Aí "balada", que era sinônimo de música lenta ou história triste, passou a significar "agito", "festa noturna". "Banda", que era um coletivo de instrumentistas, foi usada para grupos de vocalistas que não tocavam instrumento algum. "Demorô", que era uma forma caipira/suburbana de falar "demorou" (do verbo "demorar", que segundo o Aurélio quer dizer esperar ou atrasar), virou algo parecido com "realizou" ou, como se dizia nos anos 80, "arrebentou a boca do balão". Nos gêneros musicais, os estragos incluíram o hardcore, que era um estilo de punk mais violento e altamente contestatório e virou uma forma "animada" de punk (quase um bubblegum só mais agressivo no som), e o rhythm and blues, antes um blues rítmico e eletrificado, e hoje um funk romântico ou um soul meloso.

Além deles, há as alterações "informais", que não são assumidas nem aparecem nas páginas, vídeos, emissoras e sites dessa mídia "irada". Como por exemplo "político corrupto", expressão que se refere aos caras que usam cargos políticos para cometer roubalheira. Ninguém vai dizer que a palavra mudou de sentido, mas na prática, ao vermos o desfecho dos corrompidos do poder, a expressão ganhou um sentido "alternativo" de "cara legal", "sujeito bem-sucedido". Outro exemplo informal é a palavra "otário" - ou "imbecil" - que, de pessoa desastrada e desinformada, passou a ser todo aquele que discorda da visão que é considerada "normal" pelos jovens de hoje. Se você acha os Guns N'Roses uma porcaria, então você é, para a juventude atual, um "otário", mesmo sabendo coerentemente todos os defeitos dessa banda farofeira.

E por que essa mudança de sentido nas palavras? Porque é uma coisa legal, porque é a "maior viagem" brincar com a lógica, que é um processo "muito louco, brou"? Não. Há uma coisa estranha, muito estranha, por trás disso.

A década de 90 e, da mesma forma, os dias de hoje, são marcados por uma intensiva manipulação por parte da mídia das mentes juvenis. A mídia imbeciliza os jovens, com seu circo de reality shows, a overdose de esportes radicais, as "dicas" exaustivas para um visual "maneiro", toda uma ideologia "irada", tudo feito e bem investido, em dólares e dólares, para deixar o jovem acomodado num mundo irreal, pretensamente real, oferecendo ocupação e otimismo suficientes não para lhe deixar naturalmente ocupado ou otimista, mas para fazê-lo ficar mais conformista, mais consentido com qualquer absurdo que acontece por aí. Incluindo asneiras ditas pelo "guru" dessa "galera irada", o Chorão do Charlie Brown Jr. que, junto com seus inúmeros discípulos, pregam que "o mundo está fodido" e, por isso, "naum há jeito, galera, tá tudo fodido mermo, vamo encará essa parada que naum é mole".

Mudar o sentido das palavras é quebrar o diálogo das gerações recentes com as mais antigas. Nota-se um conflito forjado entre as pessoas nascidas depois de 1978 e as nascidas antes. E esse conflito não é feito porque os mais jovens são avançados e os mais velhos não. Tal atrito ocorre porque os mais jovens acabaram condicionando suas vidas a essa mídia doentia, alucinada, banalizante. Transformando os jovens em criaturinhas conformistas de vida "radical", surfando de dia, praticando mountain bike de tarde e indo para a náite "na náite mermo", não para curtirem tais atividades mas para narcotizar suas mentes com o excesso delas, só faltou mesmo mudar os significados das palavras para assim alterar o nível de compreensão dos jovens, que nada tem a ver com a tradição lógica obtida com muito sacrifício e muitos neurônios a partir dos anos 60.

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