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EJECT: ATÉ "DESCOLADOS" CAÍRAM NA PEGADINHA DA GÍRIA "BALADA"

Só mesmo um ítem para o Eject, se nossa equipe fizesse uma coluna similar à de "Escuta Aqui", do repórter Álvaro Pereira Júnior.

É o cúmulo da tolice. A gíria "balada" foi fabricada pelos executivos da dance music farofa, mas hoje inventam que a gíria é "de uso universal". Pode?

Até os chamados "descolados", esses que se dizem inclinados em "música de vanguarda" - se bem que eles andam gostando de muitas chatices ultimamente, tipo Peaches, Marilyn Manson, além de aceitarem como "banda séria" o ridículo Charlie Brown Jr. - agora falam também em "balada". Não como música lenta, que é o seu sentido original e autêntico, mas como pretenso sinônimo de "agito", "festa".

Ficou muito chato. É "balada" pra lá, "balada" pra cá, que a gente imagina que, para ir a uma festa, não se deve mais usar o ecstasy (se bem que drogas não é nosso barato), mas sim água com açúcar. Porque é muito difícil alguém não ficar furioso se, numa "balada", não rolar música lenta e não houver a menor chance de alguém dançar juntinho, coladinho com seu par. Não vale forró, é música lenta mesmo.

Muita gente cai nessa pegadinha de citar "balada" como sinônimo de agito. De Lúcio Ribeiro (Folha de São Paulo) até Roberto Pompeu de Toledo (revista Veja), passando pelos programas "Globo Repórter" e "Jornal Hoje" até pelo depoimento do advogado Ari Friedenbach, pai de Liana, a adolescente morta em 2003 com o namorado, em Mogi-Guaçu, por um bando de seqüestradores, todo mundo escorregou no discurso e considerou essa gíria ingrata. Cuidado que isso vicia, hein?

Até mesmo as rádios de rock estão usando a tal gíria. E não se fala somente dessas rádios farofeiras, feitas por gente que não entende de rock, como a 89 FM de São Paulo, suas afiliadas e similares. Também são as rádios de rock de verdade que pegaram essa gíria também, como a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre, e a Brasil 2000, de São Paulo. Pega mal bancar o "moderninho" por um procedimento desses. Seria ideal que, se essas rádios seguem a real filosofia do rock, tenham que considerar que, para manter seus programas com nome "Balada", deveria mudar o conteúdo musical, colocando soft rock em suas músicas lentas. 

Escolher músicas para agradar a audiência desses programas "Balada" não será problema, pois teria até Pink Floyd, Radiohead, Coldplay, Nando Reis, Ira!, Cássia Eller e algumas lentinhas da Legião Urbana. Dá para tocar também coisas clássicas como Bob Dylan e Beatles, e coisas de um passado recente, como U2, Smiths e Paralamas do Sucesso. E, de MPB, não falta música lenta. Se manter a relação semântica entre "balada" e "agito", será uma mancha de burrice que poderá abalar duas rádios marcadas pela inteligência e criatividade.

O pessoal deveria deixar essa gíria "balada" ficar entre essa "galera" que curte dance music, esses mauricinhos, patricinhas, turbinadas e pit-boys. Burrice é coisa de gente burra, e não de gente inteligente.

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