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A VERDADEIRA BALADA

Qual a verdadeira balada? Aquela que rola som bate-estacas, tem um clima todo frenético e fica cheio de luzes, num clima totalmente alucinado? Quem não é ingênuo sabe que uma balada não é assim.

Balada, na verdade, é música lenta, é história triste. E se a palavra balada pudesse encaixar num tipo de festa, seria justamente aquelas festas antigas, dos séculos XVIII e XIX.

Sim, porque nestas festas, o "som irado" não era por conta de um "dijêi", mas de um pianista, ou então um quarteto de cordas. O som tocado nada tinha de frenético, não havia tum-tum-tum, até porque as percussões, segundo o pensamento da época, eram coisa de tribos indígenas.

As pessoas eram mais calmas do que nas festas de hoje e podia-se dançar valsa com alguém. Chega a ser ridículo, hoje em dia, que numa dita "balada" você não possa dançar colado com uma mulher, já que nessas festas neuróticas essas moças são umas grandes insensíveis, quase brutais. E "balada" sem dançar colado não é balada. Assim como dançar colado numa "balada" não é tara nem puxa-saquismo de pretendente afoito.

Por isso, a verdadeira balada já deixou de existir faz tempo. Recitais melódicos de música clássica, com chance para um homem dançar de braço com uma mulher, ou então abraçado a ela, algo que na época correspondia a "dançar colado", mas era bem mais discreto. Mesmo assim, era balada mesmo, porque não havia ritmos acelerados, luzes piscando, escuridão nem astral neurótico.

Se hoje em dia as festas são neuróticas, com todo seu ambiente alucinado e entorpecedor, e além disso as pessoas violentam sem piedade os dicionários, mudando o sentido de palavras, é sinal de que a imbecilização já ultrapassou os limites da "boquinha da garrafa" e do "bonde do tigrão" e passou a freqüentar horizontes mais "irados".

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