Page archived courtesy of the Geocities Archive Project https://www.geocitiesarchive.org
Please help us spread the word by liking or sharing the Facebook link below :-)


 Amazonas

Amazônia sul-americana

Área total:

7,7 milhões de km2

Localização:

79ºW Rio Chamaya, Peru
46ºW Rio Palma, Tocantins, Brasil
5ºN Rio Cotinga, Roraima, Brasil
17ºS Alto Araguaia, Mato Grosso, Brasil

Amazônia Legal

Área total: 5.002.745 km2
Estados integrantes: Amazonas (2.389.279 hab.), Amapá (379.459 hab.), Acre (483.593 hab.), Pará (5.510.849 hab.) Rondônia (1.229.306 hab.), Roraima (247.131 hab.); oeste do Maranhão (população total do Estado: 5.222.183); Tocantins (1.048.642 hab.) e Mato Grosso (população total do Estado: 2.235.832 hab.).

Relevo

Macro-unidades do relevo brasileiro: planaltos, depressões e planícies.

Na Amazônia estão presentes as seguintes macro-unidades:

1) Planalto da Amazônia oriental: ocorre circundado por depressões periféricas ou marginais. Apresenta cuestas com altitudes em torno de 400 metros.
2) Planalto residual norte-amazônico: unidades formadas desde do pré-Cambriano, a partir de sedimentos. Presença de serras e morros isolados e associados a intrusões graníticas. Estendem-se desde do Amapá até o Norte do Amazonas, com altitudes entre 600 e 1000 metros, podendo atingir 3.000 metros (Pico da Neblina). Serras associadas a esta litologia: Tapiraperó, Parima, Tumucumaque e Navio.
3) Planalto residual sul-amazônico: Estende-se do sul do Pará a Rondônia. Mescla áreas de morros do Pré-Cambriano com coberturas sedimentares do Pré-cambriano e do Paleozóico Inferior, onde sobressaem as chapadas, caso da Chapada do Cachimbo. Há ainda relevos residuais associados a sedimentos, intrusões e dobramentos com metamorfismo - caso da Serra dos Carajás.
4) Depressão marginal norte-amazônica: área entre as bordas da bacia amazônica, com presença de pequenos morros associados a intrusões graníticas. Com altitudes entre 200 e 300 metros, estende-se a leste até o litoral do Amapá, a oeste avança sobre os territórios da Colômbia e Venezuela, ficando no mesmo nível que o planalto da Amazônia ocidental.
5) Depressão marginal sul-amazônica: limita-se a norte na borda sul da bacia amazônica, apresenta níveis altimétricos entre 100 e 400, sendo crescente em sentido N - S.
6) Planície do rio Amazonas: está associada aos depósitos do Quaternário (Holoceno). Apresenta trechos mais elevados, margeando o leito do rio e formando diques fluviais. Nos trechos mais baixos a água de inundação permanece por mais tempo e aparecem gramíneas. A ilha de Marajó é a porção mais ampla desta unidade.

Vegetação

1,9 milhão km2 (38%) de floresta densa (homogênea, fechada, perene)
1,8 milhão km2 (36%) de florestas não densas
700 mil km2 (14%) de cerrado e campos naturais
600 mil km2 (12%) de áreas antrópicas (alteradas pelo homem), vegetação secundária (que já sofreu desmatamento alguma vez) e atividades agropecuárias.

Florestas de Igapó: ocorrem em solos que permanecem alagados durante cerca de seis meses, em áreas próximas aos rios. As árvores podem atingir até 40 metros de altura e raramente perdem as folhas - geralmente largas para captar a maior quantidade possível de luz solar. Nas águas aparecem as folhas da vitória-régia - que chegam a ter 4 metros de diâmetro. Ocorrem associados aos rios de água branca.

Florestas de Várzea: As árvores são de grande porte (até 40 metros de altura) e apresentam características semelhantes ao igapó - embora a várzea apresente maior número de espécies.  Ocorrem associados aos rios de água preta

Florestas de Terra Firme: Apresentam grande porte, variando entre 30 e 60 metros, o dossel é contínuo e bastante fechado, tornando o interior da mata bastante úmido e escuro. Esta formação está presente nas terras altas da Amazônia e mescla-se com outros tipos de associações locais, como o os campos e os cerrados amazônicos. Há também presença de campinaranas - caracterizadas pela presença de árvores mais baixas, com troncos finos e espaçados.

Informações Extras

Evapotranspiração: 50% do total da precipitação
Retenção dos raios solares: dossel na Mata de Terra Firme bloqueia 95% dos raios
Área alagável em torno dos grandes rios: 300 mil km2

Clima

Predomínio do clima equatorial
Pluviosidade média anual: 2500 mm
Temperatura média anual: 24 ºC
Características Gerais: Clima equatorial úmido e sub-úmido controlado pela ação dos alísios e baixas pressões equatoriais (doldrums) e pela ZCIT - Zona de Convergência Intertropical. Na Amazônia Ocidental o clima sofre a interferência da massa equatorial continental (mEc); Na Amazônia Oriental, região do médio e baixo Amazonas e litoral, o clima sofre interferência da massa equatorial marítima (mEm) e da ZCIT. A massa ppolar atlântica (mPa) atua no interior da Amazônia, percorrendo o território nacional sentido S - NW através da depressão do Paraguai, canalizando o ar frio e provocando queda da temperatura. O fenômeno é conhecido como "friagem". Em 1936, na região de Sena Madureira, no Acre, a friagem abaixou a temperatura para 7,9ºC.

Os Rios Amazônicos

Solimões/Amazonas

O rio Solimões/Amazonas lança no Atlântico entre 16 e 18% de toda a água doce que chega aos oceanos no Planeta.

Nascente: Norte da Cordilheira dos Andes peruanos.
Altitude na nascente: 5,3 mil metros
Segundo maior rio do mundo com 6.437 km de extensão
Vazão média: 215 milhões de litros por segundo ou 6 bilhões de litros a cada 28 segundos

Características dos rios da região

Rios de água branca: ocorrem em geral nos afluentes da margem direita do Solimões/Amazonas. Apresentam águas turvas, ricas em partículas suspensas e com visibilidade entre 10 e 15 cm. Exemplo: Solimões, Juruá, Purus e Madeira.

Rios de água clara: ocorrem em toda a Amazônia. Apresentam águas transparentes, com pH quase neutro e visibilidade em torno de 4 metros. São exemplos os rios Tapajós e Xingu.

Rios de água preta: têm esta cor porque correm sobre solos ricos em matéria orgânica (que possui cor escura). Apresentam pH ácido, em torno de 4,5. Pertencem a este tipo o rio Negro e todos os seus tributários, bem como inúmeros lagos amazônicos.

Rede Hidroviária

Rios navegáveis: 24 rios principais que integram rede de 14.314 Km.
Portos: 13 portos com infra-estrutura: Manaus, Belém, Santarém, Vila do Conde, Macapá e Itaquí/Ponta da Madeira.

Informações Sócio-Econômicas para a Região Norte - zona urbana
Fonte: IBGE, 1996

População

 

 

1980

1991

1996

Brasil

119.002.706

146.825.475

157.079.573

Amazônia

11.014.363

16.988.040

18.748.490


Serviços Públicos (área urbana)
Esgoto sanitário: 35%
Abastecimento de água: 68%
Coleta de lixo: 59%
Eletricidade: 96,8%

Rendimento Mensal (região norte)
23,1% até 2 s.m.
31,4% entre 2 e 5 s.m.
20,7% entre 5 e 10 s.m.
18,4% mais de 10 s.m.
6,4% sem rendimentos ou não declarados

Principais atividades econômicas: silvicultura, extrativismo, pesca, e mineração.

Principais minerais: estanho e ouro

Estabelecimentos industriais: 1.090

Estabelecimentos agropecuários: 117.160

Principais produtos agrícolas: arroz, feijão, guaraná, juta, malva, mandioca, milho, pimenta-do-reino.

Produção de leite: 30.448.000 Litros

Rebanho efetivo: bovinos 500.424, suínos 190.612, aves 3.020.142.

Produção de energia elétrica: 1.780 Gwh

Consumo de energia elétrica: 1.520 Gwh

Rede rodoviária federal: 2.500 Km

Rede rodoviária estadual: 795 Km

Rede rodoviária municipal: 1.720 Km

Frota de veículos rodoviários: 190.453

Nascimento (registrados): 63.290

Estabelecimentos de saúde: 450

Leitos: 2.900

Médicos (em est. públicos e particulares): 1.524.

Ensino: 559.924 alunos matriculados em 4.807 escolas do 1º grau, 50.216 alunos matriculados em 110 escolas de 2º grau, e 9.948 alunos matriculados em 6 instituições de ensino superior

 Geografia

O relevo apresenta fortes contrastes. Predoniman as terras baixas de até 100m de alt. áreas periodicamente inundadas, as várzeas. Ao S. surgem as encostas desgastadas do planalto brasileiro, com média de 200m de alt. Ao N, próximo a fronteira com a Venezuela, o terreno eleva-se gradualmente, até formar as escarpas cristalinas do planalto da Guianas. Ali, na serra do Imeri, está situado o pico da Neblina (3.014m), ponto culminante do Brasil. Os principais rios pertencem a bacia do rio Amazonas que atravessa o Estado de O para E. Há vários lagos-permanentes nas áreas de terra firme e temporários nas várzeas - e muitas ilhas fluviais.

A de Tupinambaras, na confluência dos rios Amazonas e Madeira, é a mais extensa. O clima é equatorial, quente, úmido, com média anual de 26º C, e pequena amplitude térmica. O SO do Estado é ocasionalmente atingido pela massa de ar polar atlântica (o fenômeno da “friagem”), quando a temperatura pode baixar até 10ºC. No E, o índice pluviométrico é de mais de 2.00mm, e no O, é superior a 2.500mm. A floresta equatorial recobre quase todo o Estado, mas há pequenas áreas do campos de cerrados.

 A população e a economia

            Embora seja o maior Estado do país, o Amazonas tem uma das menores densidades demográficas (1,34 hab. /km²). A maior parte da população vive ao longo dos rios e é constituída por mestiços e índios. A imigração nordestina tem sido significativa nos últimos anos. Manaus, Itacoatiara, Parintins e Coari são as maiores cidades do Estado.

O extrativismo vegetal e a pesca são atividades e econômicas importantes na economia do Estado, e os principais produtos são borracha, castanha-do-pará, guaraná, e madeira de lei como, mogno e pau-rosa. Apesar da implantação de grandes projetos agropecuários a partir da década de 70, a atividade agrícola predominante ainda é rudimentar e basicamente de subsistência. Arroz, milho, feijão, juta, cacau e pimenta-do-reino são os principais produtos da agricultura comercial. A partir de 1982, o governo incentivou o plantio de seringais para aumentar a produção de borracha. Na atividade pecuária destacam-se os rebanhos bovino e suíno.

Os recursos minerais começam a ser explorados de maneira mais intensa, com um significativo aumento de extração de cassiterita e de ouro a partir de 1984. As reservas de sal-gema são as maiores do mundo; também há ferro, manganês e linhita. Prospecções recentes indicam as promissoras jazidas de petróleo de região do rio Urucu. As indústrias concentram-se principalmente na capital, onde foi criado o Distrito Industrial da Zona Franca de Manaus (1967).  Na indústria pesada destacam-se a Refinaria de Petróleo de Manaus, a Companhia Siderúrgica da Amazônia (SIDERAMA) e o estaleiro Estanave.

O ramo da indústria eletroeletrônico cresceu extraordinariamente na área da Zona Franca, com base em incentivos fiscais do governo federal. Existem ainda indústrias de beneficiamento de madeira, borracha, juta, e couro. Em 1985, o setor manufatureiro, com mais de 3.200 estabelecimentos, foi responsável por 70% das exportações do Amazonas.

            Localizado na região Norte  e cortado pela Linha do Equador, o Amazonas é quase inteiramente coberto pela Floresta Amazônica . Lá estão 33% das reservas florestais da Terra e a maior diversidade biológica do planeta. Além do Rio Amazonas, o estado abriga os dois maiores arquipélagos fluviais do mundo – Mariuá e Anavilhanas . A natureza, no entanto, não é o único atrativo. Na capital, Manaus, há marcos arquitetônicos do período áureo da borracha, com destaque para o Teatro Amazonas – um dos mais bonitos do país –, feito com materiais nobres vindos de várias partes do mundo.

O Amazonas tem baixa densidade demográfica e a maioria da população ocupa as áreas próximas aos rios. É comum a construção de casas sobre palafitas em áreas periodicamente alagadas. O estado tem o maior número de índios do país – 27,5% do total. Raízes indígenas e nordestinas transparecem na culinária da região que tem no peixe a base de seus principais pratos, como a moqueca com postas de tucunaré ou surubim. Uma mistura do bumba-meu-boi  do Nordeste com lendas indígenas marca o Festival Folclórico de Parintins , no qual a disputa entre os bois Garantido e Caprichoso faz a maior festa popular da região Norte.

A Zona Franca de Manaus, criada para estimular o desenvolvimento industrial na região, é fundamental para a economia. A pesca e o extrativismo também são importantes. Além da madeira de lei – extraída muitas vezes de forma ilegal –, também são coletados a castanha-do-pará, a borracha, o guaraná, a goma e a piaçava.

FATOS HISTÓRICOS – Até meados do século XVIII, quase toda a região amazônica pertencia legalmente à Espanha. Nesse longo período, permanece praticamente desconhecida, visitada apenas por missionários e aventureiros, alguns enviados em expedições oficiais, como a de Pedro Teixeira, que em 1637 subiu o Rio Amazonas, alcançando Quito, no Equador. Tanto os portugueses como os espanhóis só exploram as chamadas “drogas do sertão” – madeiras, resinas, ervas e condimentos –, que não chegaram a ter importância econômica significativa. Isso explica, em parte, a relativa facilidade com que a Espanha cedeu toda a imensa área a Portugal nas negociações do Tratado de Madri de 1750 (ver Expansão territorial).

Nas décadas seguintes são construídas fortalezas para a defesa da região, transformada na capitania de São José do Rio Negro. Os padres jesuítas são substituídos por funcionários leigos na catequese e educação dos índios. Com a Independência, a capitania é integrada à província do Pará, envolvendo-se nas lutas da Cabanagem. Em 1850, o governo imperial cria a província do Amazonas, com capital em Manaus, antiga Barra do Rio Negro. E em 1866, quando começa a crescer a importância da borracha para a economia local, o Rio Amazonas  é aberto à navegação internacional.

 Auge da borracha – Os seringais amazônicos passam a atrair dezenas de milhares de migrantes, sobretudo nordestinos, para a coleta do látex. Atraem também o interesse de grandes companhias estrangeiras, européias e norte-americanas. A população multiplica-se, a exportação da borracha chega a igualar-se à do café e a economia cresce rapidamente no final do século XIX. Manaus vira uma metrópole de estilo europeu – é a segunda cidade do país a instalar iluminação elétrica. Esse desenvolvimento não dura muito. Já nas décadas de 1910 a 1920, em função da concorrência asiática, a borracha amazônica perde mercado e a economia regional entra em rápido declínio.

 Integração – A construção da Rodovia Belém–Brasília, no final dos anos 50, é o primeiro passo para romper o isolamento e a estagnação econômica dos estados amazônicos. Em 1967, dentro da política de ocupação e exploração da região dos governos militares, é criada a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). O objetivo é estabelecer um pólo industrial na capital do Amazonas por meio da redução dos impostos de importação e exportação. No início dos anos 70, começa a ser desenvolvido, por meio do Plano de Integração Nacional, um programa que prevê a construção de estradas, a ocupação planejada e o incentivo à instalação de empresas na região. É dessa fase a construção da Transamazônica  e a de agrovilas que atraíram milhares de migrantes com a concessão de lotes de terras. O objetivo desse e de outros programas, administrados pelo Instituto Nacional de Reforma Agrária (Incra) e pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) é “integrar para não entregar”, já que os governos militares queriam garantir a ocupação brasileira numa região tradicionalmente cobiçada por outros países.

Os resultados desses projetos foram pobres. O solo da região, depois da retirada das árvores, nem sempre se mostra adequado à agricultura e impede a fixação de grande número de migrantes. Grande parte das estradas é engolida pela floresta. Sobrevivem alguns dos grandes empreendimentos madeireiros e agropecuários, causadores de graves problemas ambientais e conflitos com a população nativa. A instalação da Zona Franca faz a população de Manaus aumentar de 300 mil para 800 mil habitantes entre 1970 e 1985. Esse rápido crescimento não é acompanhado dos investimentos necessários nas áreas de saúde e educação. Uma nova frente de desenvolvimento do estado  tem sido o turismo, especialmente o ecológico, que atrai milhares de brasileiros e estrangeiros.

 

1