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ARTIGOS E OPINIÕES

Discurso de Posse do Presidente da AEAPI
Eng. Agro. Avelar Damasceno Amorim

Excelentíssimo  Senhor Secretário da Agricultura  do Desenvolvimento Rural

Minhas Senhoras e meus Senhores.

              O desenvolvimento Rural de nosso estado depende muito mais da adequada capacitação dos agropecuaristas do que da abundância dos seus recursos; muito mais de insumos intelectuais da que de insumos matérias; muito mais da extensão rural  que ensina “ como fazer’’   do que “ com o que fazer’’

              Nós agrônomos, temos a convicção que a maioria dos problemas dos agropecuaristas podem ser resolvidos por eles mesmos, com a condição de que recebam uma capacitação técnica empresarial orientada a obter  resultados econômicos e não apenas a executar atividades, ou seja, uma capacitação mais comprometida em solucionar os problemas do que emproblematizar  as soluções.

               A solução mais realista para os problemas da agropecuária Piauiense é a eficiência tecnológica e gerencial  dos agropecuaristas  e a fortaleza organizativa-empresarial de suas comunidades.

              Estes dois requisitos permitem compensar, em boa medida, a escassez de recursos materiais e financeiros dos agropecuaristas  e a insuficiência  de apoio governamental.

              Entendemos que os problemas externos às propriedades rurais não podem ser ignorados. O produtor rural tem razão  em criticar:

            - Aos intermediários, Agroindústrias e hipermercados porque muitos lhes impõem condições verdadeiramente cruéis na aquisição  dos seus produtos, esquecendo que são os agropecuarista que iniciam e fazem possível a cadeia agroalimentar de agregação de valor na qual eles participam.

            - Aos nossos governos porque não os protegem nem assumem à tarefa de contribuir na criação de condições mais  adequadas  para a maior competitividade do setor.

            - Aos governos dos países desenvolvidos que praticam uma competição desleal nos  mercados internacionais gerando piores condições aos produtores do Terceira Mundo.

             Mas... devemos priorizar  as soluções que estão ao nosso alcance. No entanto sejamos realistas,  nas últimas décadas as queixas e os protesto da classe agronômica e dos agropecuarista no Piauí produziram resultados decepcionantes.  Por  esta razão deveremos substituí-los por uma atitude mais construtiva, encarregando-nos  de solucionar nossos problemas; por que eles dificilmente serão resolvidos pelo governo  ou pelos outros integrantes das  cadeias agroalimentares;  pois este últimos  intervem nas  referidas  cadeias  com o propósito de ganhar dinheiro  e não  de solucionar os problemas  dos agropecuarista . Ante esta   realidade, nós-Agrônomos  e Agropecuarista teremos  que corrigir as nossas ineficiências produtivas . Teremos   que nos  organizar para assumir um maior protagonismo  em toda  a  cadeia agroalimentar porque são estas duas distorções,  ineficiências produtivas e falta de  organização grupal e comunitária, ambas corrigíveis por nós mesmos,  as principais causas elimináveis da falta de rentabilidade  e de competitividade do setor agropecuário. Visão equivocada do problema. Muitos agropecuaristas ainda continuam pensando que, para solucionar  seus problemas  econômicos, necessitam que os governos lhes concedam crédito e renegociem as suas dividas, garantam a comercialização  das suas colheitas, reduzam a carga tributária,   incrementem o      valor   do  dólar,  concedam subsídios e estabeleçam barreiras às  importações de  produtos  agropecuários.  Continuam   acreditando     nestas medidas  porque   ainda não se deram conta que  elas não são viáveis de serem levadas à pratica, nem são eficazes na solução dos seus problemas. As razões para estas afirmação  de aparente ceticismo, são as seguintes:

Primeira  Razão: Os endividados e debilitados governos desta região ( região nordeste), infelizmente não estão em condições de conceder-lhes estas ajudas,mesmo que quisessem fazê-lo; adicionalmente enfrentam enormes dificuldades quando tentam impedir que os Paises ricos continuem subsidiando e protegendo os seus agricultores.  

Segunda  Razão: Mesmo que fossem viáveis estas medidas não seriam eficazes nem suficientes enquanto os agropecuaristas não eliminarem as duas causas mais imediatas de  sua falta de rentabilidade. Estas duas causas são as seguintes:

Causa  1- como regra geral eles se dedicam exclusivamente a etapa pobre do negócio agrícola, que é a etapa de produção propriamente dita. Esta exige muito trabalho, expõe a permanentes riscos e gera pouca renda. As atividades da etapa rica (fabricação e revenda de insumos, processamento para incorporar valor e  comercialização  das colheitas) são realizada por outros agentes do agribusines; apesar de que poderiam ser executadas pelos próprios agropecuaristas, se eles o fizessem de maneira associativa e gradual.

Causa 2 – Além de encarregar –se apenas da referida etapa pobre, muitos agropecuaristas a executam com evidentes ineficiências, tal como  o comprovam os baixos rendimentos médios da agricultura e da pecuária piauiense, a inadequada ou insuficiente  diversificação produtiva, o fato de dedicarem-se a cultivar espécie de baixa densidade econômica, etc. Esta afirmação não desconhece  as importantes melhorias de produtividade nas regiões de nosso estado, principalmente nos cerrados; melhorias que demonstram que é possível crescer em quantidade e qualidade e melhorar na competitividade do setor agropecuário. AO ACOSTUMAR-NOS A CONVIVER COM O PROBLEMA.... DEIXAMOS DE VÊ-LO. Estas duas distorções estão tão generalizadas na agropecuária Piauiense que, apesar de serem muito prejudiciais para a economia    dos agropecuárista, são consideradas por muitos como se fossem normais e aceitáveis ;  a tal ponto que muitos produtores rurais nem se quer se dão conta que a falta de rentabilidade é provocada principalmente por eles mesmo, ao adotarem os seguintes procedimentos:

       - Os seus custos unitários de produção são desnecessariamente  altos em virtude dos baixos rendimentos médios que eles obtém por unidade de terra e de animal; e dos altos preços que, devido ao seu individualismo, pagam na aquisição dos insumos e na realização de vários investimentos superdimencionados,  que não deveriam fazer-los individualmente.-                

      - Os preços de venda das suas colheitas são desnecessariamente baixos, porque outra vez, por não praticar o associativismo, os produtores comercializam os seus excedente individualmente, sem incorporar-lhes nenhum  valor e com o primeiro  elo de intermediação diretamente nas suas propriedades.

          Podemos com absoluta certeza, afirmar que as causas, mais imediata da falta de rentabilidade começam dentro das propriedades e comunidades rurais. Estes antecedentes  ilustram que os produtores rurais são vitimas principalmente de suas  próprias ineficiências de produção, administração rural e comercialização.Ao contrário  do que costumam afirmar-se, muitos dos seus problemas se devem à falta de conhecimento técnico-gerenciais e de organização empresarial e comunitária e não apenas a equivocadas políticas creditícias, cambiais, tarifárias e tributárias.  Este é um problema central que nós agrônomos  e  agropecuarístas  devemos reconhecer com humildade e enfrenta-lo com realismo, objetividade e profissionalismo; porque a ineficiências provocadas  pela falta  de conhecimento e de organização empresarial devem ser corrigidas com capacitação e não premiadas com subsídios.

         Isto não significa desconhecer os problemas estruturais da agropecuária, porém se trata de não cair na “armadilha” de  não fazer aquilo que é possível e necessário, porque concentramos os nossos esforços em continuar reclamando pelas medidas que estão fora do alcance dos agropecuaristas.

Perguntas que nos doem........a todos. E se tudo parece tão claro, cabe formular as seguintes perguntas:

        - Por que as famílias rurais no Piauí ainda não estãocapacitadas para corrigir suas ineficiências produtivas e por  que não está organizado em grupos para comprar insumos, incorporar valor as suas colheitas e comercializa-las em conjunto, em vez de continuar executando  todas estas atividades individualmente?

         - Como explicar a persistência destas distorções tão elementares  se no Piauí existem centenas de extensionistas  e promotores de desenvolvimento rural que, com grande dedicação tem atuado no setor Agropecuário; especialmente quando se considera que estes profissionais foram treinados exatamente para corrigir tais ineficiências  e distorções?

- Como explicá-lo se durante vários  anos este serviço passou por permanentes reestruturações e adotaram as mais variadas políticas, estratégias  para o setor agropecuário?

            As reestruturações do Emater-PI ao  longo  dos anos foram mal enfocadas. Isto ocorreu e continua ocorrendo porque tais reestrutrurações  subestimaram e ignoraram quatro debilidades que jamais poderiam ter  deixado de ser prioritárias; porque são elas as verdadeiras  e mais profundas causas dos modestos resultados obtidos pelo serviço de assistência técnica e extensão rural:

 1 - O serviço de assistências técnicas e extensão rural tem que estar integrado num modelo de gestão participativo e descentralizo para  o setor agropecuário. O que não vem ocorrendo ao longo dos anos

2 – O extensionista  não está suficientemente preparado para conseguir que os próprios agropecuaristas corrijam as suas ineficiências e solucionem os seus problemas

3 – Os serviços  de Assistência técnica e extensão rural não  proporcionam as condições  mínimas para que o agente de extensão permanente no campo e  dedicado principalmente as atividades  educativas e organizativas das comunidades.

4 -  O extensionista não utiliza plena e racionalmente, eficazes estratégias, métodos e meios de   extensão rural. Estas debilidades, mais endógenas que exógenas, são as que estão produzindo um enorme dano à eficácia e eficiência dos serviços de assistência técnica e extensão rural.

           Senhoras e Senhores, a classe Agronômica de nosso estado nos últimos 20 anos, vem questionando a falta de visão dos nossos governantes, quando  deixou  ao  léu  o sistema  de  assistência   ao   pequeno   agropecuarista.

           A empresa de assistência técnica e extensão rural –Emater-PI, hoje instituto, foi sucateada e desmontada deixando o pequeno agropecuarista  desprotegido.

        Senhoras e Senhores, a Associação dos Engenheiros Agrônomos  do Piauí-AEAPI, entidade  máxima que representa a nossa categoria, pode em parceria com as demais entidades,  apoiar o governo na construção de um novo modelo de gestão integrada e participativo para a reconstrução do setor agropecuário, consistente com a realidade do Piauí e harmônico com os demais segmentos das políticas  públicas, visando a consolidação da iniciativa privada, fomento  da produção, estímulo e eficiência, competitividade e a produtividade em todas as fases do processo, da produção ao abastecimento. Nós que fazemos a AEAPI, somos convocados para participar da construção do projeto de elaboração da proposta de um “modelo institucional de gestão integrada e participativa para o setor agropecuário  do estado  do Piauí,”  que será   submetida à apreciação do conselho de política agrícola  e desenvolvimento rural.

-         Um dos princípios  norteadores desta proposta será, justamente, o conceito de gestão integrada. O setor agropecuário não deve buscar soluções distintas e descontínuas para a problemática  ambiental, mas sim buscar  a articulação com os  demais setores e políticas de modo a  direcionar suas  energias para o objetivo comum de proteger os recursos naturais e utilizá-los de forma sustentável.

-         Como um desdobramento da estratégia da gestão integrada  dos programas do setor agropecuário  com os dos outros setores, será considerado na proposta a necessidade de se trabalhar em parceria reunindo todos os  atores locais com interesses comuns.

-         Outro princípio importante que será considerado na proposta será a ação descentralizada, fortalecendo-se  as  ações dos municípios. Gradualismo, flexibilidade e maior capacidade de planejamento,  serão atributos necessários para este processo de descentralização, de forma a assegurar que as ações a serem desenvolvidas tenham sustentabilidade e sejam internalizadas no futuro pelos atores locais.

-         Na construção do modelo a classe agronômica terá a oportunidade  de discutir em plenária um conjunto de programas prioritários  para o desenvolvimento  sustentável  do  setor agropecuário.   Assim, os  programasdelineados a seguir expressam o pensamento atual da categoria:

          I – Programa  sobre  política   ambiental    é  no respeito ao ambiente  que  reside     possibilidade  de  se melhorar  a  qualidade  de   vida   das   pessoas    e   os   engenheiros agrônomos,  pela   sua   formação  técnica  e  intelectual, estão    à    disposição   da   sociedade    para   a  melhor contribuição   para  que  se  concretize  essa  assertiva.

        II –Ensino-Pesquisa-Extensão-AssistênciaTécnica-As alavancas para a produtividade sustentada, intrinsecamente interligadas, devem ser acionadas como instrumentos básicos para o resgate social que o estado exige.

       III – Reforma  Agrária – no  Piauí  um programa sério de reforma  agrária   deve, necessariamente  criar condições para que o homem do campo não seja atraído pela ilusão de vida melhor na cidade.

      IV – Associativismo – As experiências bem sucedidas em variadas  regiões brasileiras  e piauienses, demonstram  que,  devidamente estimulado o agropecuarista piauiense é

adepto à cooperação.

     V -  Comercialização- urge  que sejam  aperfeiçoados os mecanismo que agreguem valor aos produtos  agropecuários para a ampliação da renda dos agropecuaristas e do estado, com benefícios diretos aos consumidores locais.

      VI – Financiamento da produção - complementado pela assistência técnica responsável, representa  a base da competitividade da produção rural de todos os municípios do estado.

      VII –Sistemas de produção -A tecnologia para o obtenção de produtos com alta qualidade, certificada para a garantia do consumidor, faz parte do conhecimento dominados pelos engenheiros  agrônomos à disposição da sociedade piauiense.

      VIII – Defesa sanitária vegetal – A garantia da segurança da qualidade do alimento ofertado à população só podem ser garantidos por um eficiente e indelegável ação governamental.

       IX – Políticas gerais – Para complementar as propostas apresentadas  nos demais programas.

          Nós que fazemos à Associação dos Engenheiro  Agrônomos do Piauí –AEAPI, queremos deixar uma mensagem de otimismo para os nossos companheiros.

-         Cremos em um engenheiro Agrônomo que valoriza a experiência do Agropecuarista e confia  em sua capacidade, incentivando sua inventividade, pois bem sabe que mais vale caminhar juntos, que servir de apoio.

-         Cremos num Engenheiro Agrônomo sempre ávido de conhecimentos derivados dos avanços da ciência e da tecnologia, da experiência diária ou milenar; consciente de que eles são as ferramentas valiosas na luta por um campo mais justo, e uma próspera e competitiva sociedade rural.

-         Cremos num Engenheiro Agrônomo consciente da responsabilidade que tem sua profissão de aproveitar com racionalidade e cuidado, os recursos naturais para entregá-los melhorados e incrementados às gerações futuras.  


OBRIGADO!

 
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